Jalapão – Parte 1

Vistamos a região do Jalapão no Tocantins com a agência e receptivo Jalapão Expedições Eco Trip (link), e nosso condutor ambiental e sócio proprietário da empresa, o simpático e super prestativo Henrique, nos acompanhou pelos quatro dias de pura aventura descobrindo esse pedaço do Brasil que esconde muitas belezas naturais e estradas de terra.A viagem começou no aeroporto de Congonhas na quarta feira à noite onde pegamos o voo para Palmas pela Tam. Os horários dos voos não são muito bons, por isso optamos por voar no dia anterior ao começo do tour, chegar na capital do Tocantins no começo da madrugada, dormir em um hotel próximo ao aeroporto e esperar nosso transfer na quinta feira por volta das 7:00.

O Henrique nos buscou no hotel, que nem vamos mencionar o nome, pois realmente não recomendamos. A expedição em si começa neste momento, ao colocar as malas no veículo 4×4 e pegar a estrada de Palmas sentido ao primeiro atrativo, o Cânion da Sussuapara.Viajamos em quatro pessoas mais o condutor Henrique, e achamos essa forma de trabalho da Jalapão Expedições excelente, pois a maioria dos atrativos da região do Jalapão tem número máximo de visitantes, fazendo com que expedições muito numerosas não sejam práticas em termos de otimização do tempo e muito menos para curtir o visual desses lugares, que você provavelmente só vai visitar uma vez na vida, em total tranquilidade.

Os pacotes são normalmente all-inclusive. Desde o transporte, os lanches entre as refeições, as pousadas que já servem o café da manhã, a entrada nos atrativos e o almoço, muitas vezes servido no quintal da casa dos habitantes do Jalapão, com comida caseira e muitas histórias já estão no preço. Recomendamos muito que vocês fiquem pelo menos quatro dias por lá, assim como nós, pois são muitos lugares para conhecer, grandes distâncias e um tempo próprio da natureza, que não adianta tentarmos interferir.

A agência trabalha com pacotes personalizados, pois tem aqueles que preferem acampar ou ir com seu próprio veículo. Tudo isso é possível e pode ser conversado diretamente com o Henrique. Por ser biólogo, ele também entende muito sobre os animais típicos da região, da vegetação e conta muitas curiosidades do local durante os dias de convivência.

Outra coisa que achamos muito importante ressaltar, levem roupas muito confortáveis, tênis, repelente e snorkel, a água é muito transparente e vale a pena. No site da Jalapão Expedições tem uma lista do que levar (link). Achamos bem válido também aquele sapato para água, pois em alguns pontos pedras podem incomodar quem está sem sapato. De resto, embarque para o Jalapão de coração aberto, sem frescuras e deixe-se encantar por este incrível parque estadual do PEJ.

Voltando a primeira e super charmosa parada, o Cânion da Sussuapara. Este atrativo era uma cachoeira, que devido a um assoreamento se transformou em um cânion com raízes que se adaptaram à essas mudanças e ficam com água escorrendo constantemente.  O lugar é um mini oásis e um ótimo começo para a viagem!Um pequeno riacho parece trilhar um caminho entre as pedras e a vegetação. Para nós, aqui foi realmente um momento de conectar com a natureza, de sentir a vibração do Jalapão e desapegar do stress da cidade e entrar de cabeça na experiência que vivemos nos próximos dias.

Seguimos para deixar as malas e fazer o check in onde dormimos nesta primeira noite em Ponte Alta do Tocantins, na Pousada Águas do Jalapão (link). Almoçamos comida caseira self-service neste hotel que nos recebeu como se estivéssemos em casa, com uma piscina deliciosa, quartos com ar condicionado e atendimento atencioso e prestativo.

A pousada é caminho para o segundo atrativo, a Cachoeira do Soninho e uma parte do rio acima dela em que se pode dar o primeiro mergulho oficial nas águas cristalinas do rio Soninho. A cachoeira estava super agitada, com um volume de água impressionante. Nem conseguimos tirar foto dela pela quantidade de vapor d’água, mas durante as épocas de seca, o Henrique nos mostrou fotos de pessoas sentadas em partes de pedras que quando visitamos eram parte da queda d’água, que neste momento era completamente imprópria para banho, mostrando que sonolento somente o nome do rio mesmo.Em compensação, quando fomos a parte de cima, com outras quedas menores e a possibilidade de mergulhar e aproveitar as águas frescas, nos esbaldamos. Com o sol quente o dia todo e muito tempo dentro do carro, o corpo pedia por um momento de relax.

Nosso jantar foi na pequena cidade de Ponte Alta em uma pizzaria ao lado do posto de gasolina da cidade, com uma comida deliciosa, barata e o atendimento da dona do estabelecimento e de sua família. Por aqui, tudo sempre como se fizéssemos parte de uma grande comunidade, sendo convidados a fortalecer a economia destes tão distantes lugares do nosso Brasil.

No dia seguinte, bem cedo partimos em direção a Mateiros, onde a Pousada Santa Helena (link) nos recebeu por duas noites. A pousada é linda, com piscina, um local para tomar café da manhã e conviver em meio aos pássaros, uma experiência deliciosa para as primeiras horas do dia. A piscina e a sinuca são os lugares ideais para curtir de noite depois de um dia inteiro de passeio, e melhor ainda, os quartos são super confortáveis, com ar condicionado e televisão.

Antes de chegar na pousada, conhecemos três outros atrativos, a belíssima Cachoeira da Velha, uma das prainhas do Rio Novo e o por do sol nas dunas. Além de no caminho, visualizar duas das mais icônicas imagens do Jalapão, a Serra do Espirito Santo desde as estradas de terra vermelha e desde a lagoa das dunas. Na foto, da pra ver o Henrique e colocar rosto a esse personagem tão importante em nossa viagem.

O acesso da Cachoeira da Velha é feito por uma passarela de madeira que se transforma em um miradouro para esta cachoeira que tem mais de cem metros de largura e uma queda de mais de 20 metros de altura. Aqui é o rio Novo que fornece as águas deste atrativo onde o banho não é possível, mas um rafting existe em um dos lados do rio e pelo que ouvimos falar é pura adrenalina, teremos que voltar!Uma pequena trilha depois do mirante nos leva a ter outras visões deste imponente paredão de água, e entender melhor sua dimensão, sua força e como somos pequenos frente a imensidão da natureza.Dali partimos para o almoço no Povoado do Rio Novo, que leva o nome do rio que forma muitas prainhas. Casas simples, pessoas mais ainda; aqui foi a parte que nos sentimos mais conectados com a comunidade. Almoçamos na varanda de uma das casas, comemos galinha caipira e um purê de abóbora delicioso, feito e colhido ali mesmo. É tudo muito caseiro, como eu disse antes, tudo tem seu próprio tempo, e ali ele parece ter parado. O mais legal disso tudo é que a maioria das agências fornecem um lanche na cachoeira da Velha, e a Jalapão Expedições faz questão de almoçar ali para fomentar a economia local.Para depois do almoço, mais um banho, desta vez em uma praia de rio Novo, bem próximo a este vilarejo. Conhecemos duas crianças encantadoras, primos que observavam o que fazíamos e que acabaram entrando na brincadeira, sob o olhar atento de um jovem nativo, o Amilson que toma conta deste lugar que ainda não foi descoberto pelo turismo. As areias são branquinhas, a água cristalina e o visual único. Raikonen quer ser corredor de fórmula um dia e Natiele quer ser bailarina.A hora do pôr do sol estava quase chegando e tínhamos que nos apressar. O por do sol nas dunas era um dos momentos mais esperados da viagem, e no último momento, o sol nos decepcionou e se escondeu entre as nuvens. Mas, o visual daquela imensidão de areia, um rio, algumas árvores, uma vereda linda e o infinito do céu, as estrelas e a lua quase cheia faziam o cenário dos sonhos!As fotos estão longe de acabar e a intensidade desses dois primeiros dias no cerrado ainda parecem pulsar. No próximo post, tudo sobre os fervedouros e o último e talvez mais impressionante atrativo que conhecemos antes de retornar à Palmas. Não percam!

 

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Maria Alice & Rafael
hello@fastencitybelt.com.br

Um casal apaixonado pela aventura de ver o mundo com outros olhos, fotografar por outros ângulos e passear por lugares óbvios em busca do incomum. A ideia do site nasceu da união da profissão do Rafael como fotógrafo e das oportunidades de viagem que os estudos da Maria Alice proporcionaram, somado as viagens que sempre fizemos como hobby.